Você já leu um texto e pensou que a ideia central era boa, mas a escrita estava confusa, repetitiva ou pouco profissional?

Isso acontece com mais frequência do que parece.

Os vícios de linguagem na escrita parecem pequenos detalhes, mas influenciam diretamente a clareza do texto, a compreensão da mensagem e até a imagem de quem escreve. Em trabalhos acadêmicos, redações, e-mails, currículos e mensagens profissionais, esses hábitos podem comprometer resultados importantes.

Neste artigo, você vai entender o que são vícios de linguagem, quais são os mais comuns na escrita, como eles aparecem em textos de adolescentes e por que atrapalham a vida acadêmica e profissional.

O que são vícios de linguagem?

Vícios de linguagem são erros, desvios ou hábitos linguísticos, repetitivos, que prejudicam a clareza, a correção e a fluidez da escrita.

Eles podem surgir por:

  • falta de revisão;
  • pressa na hora de escrever;
  • influência da fala;
  • excesso de informalidade;
  • costume de usar linguagem de internet;
  • repetição automática de expressões;
  • desconhecimento gramatical.

Na prática, os vícios de linguagem:

  • deixam o texto confuso;
  • geram ambiguidade;
  • enfraquecem a argumentação;
  • passam uma imagem de descuido;
  • comprometem notas em atividades escolares e acadêmicas;
  • prejudicam a comunicação profissional.

Ou seja: escrever sem vícios de linguagem é escrever com mais clareza, precisão e credibilidade.

Escrever bem vai além da redação

Quando se fala em escrita formal, muita gente pensa apenas na prova de português ou na redação do vestibular, mas escrever bem é importante em várias situações do dia a dia, como:

  • enviar um e-mail profissional;
  • fazer uma redação escolar ou acadêmica;
  • escrever um trabalho em grupo;
  • montar um currículo;
  • produzir relatórios e propostas;
  • responder mensagens formais;
  • comunicar-se com professores, colegas, gestores e o mundo.

Em todos esses casos, os vícios de linguagem na escrita prejudicam a imagem de quem escreve.

Principais vícios de linguagem na escrita

Agora que você já sabe o que são, veja os vícios de linguagem mais comuns no cotidiano.

1. Abreviações e linguagem de internet (famoso internetês)

Muito usadas por adolescentes em conversas informais, essas formas não combinam com textos acadêmicos ou profissionais.

Exemplos:

  • vc em vez de você;
  • pq em vez de porque;
  • tbm em vez de também;
  • qnd em vez de quando;
  • blz em vez de beleza;
  • nd em vez de nada.

Também é comum o uso exagerado de:

  • emojis;
  • “kkk”;
  • “rsrs”;
  • “aff”;
  • escrita sem pontuação;
  • texto todo em minúsculas.

Esses hábitos são aceitáveis em conversas pessoais no WhatsApp e outros canais da internet, mas prejudicam a percepção de formalidade e cuidado em outros textos.

2. Gírias e marcas de oralidade

Algumas palavras muito usadas na fala acabam aparecendo na escrita sem necessidade.

Exemplos:

  • tipo;
  • ;
  • mano;
  • cara;
  • ;
  • daí;
  • assim;
  • entendeu? repetido várias vezes.

Em excesso, essas expressões deixam o texto com aparência de conversa informal, não de produção escrita planejada.

3. Repetição excessiva de palavras e expressões

A repetição constante também é um vício de linguagem muito comum.

Exemplos:

  • “basicamente” em vários parágrafos;
  • “na verdade” o tempo todo;
  • “então” a cada frase;
  • “tipo assim” substituindo ideias;
  • “muito” repetido sem variação;
  • “coisa” usado para tudo.

Quando isso acontece, o texto perde ritmo, precisão e qualidade.

4. Pleonasmo vicioso

O pleonasmo é a repetição de uma ideia com outras palavras.

Nem todo pleonasmo é, de fato, um vício de linguagem. Em alguns casos, ele é usado como recurso expressivo e criativo, como no caso do famoso poema de Carlos Drummond de Andrade “No meio do caminho”, chamado pleonasmo literário. No entanto, quando a repetição é desnecessária, temos o pleonasmo vicioso.

Exemplos comuns:

  • entrar para dentro → basta entrar;
  • sair para fora → basta sair;
  • subir para cima → basta subir;
  • descer para baixo → basta descer;
  • elo de ligaçãoelo já indica ligação;
  • prever com antecedência → prever já envolve antecipação.

Essas construções tornam o texto menos objetivo e cansativo, gerando redundâncias desnecessárias. Se atentar ao pleonasmo vicioso é fazer uma limpeza consciente do texto, tornando-o mais bem formulado e incisivo. 

5. Ambiguidade

Ambiguidade ocorre quando uma frase apresenta mais de um sentido, a depender da intenção e da forma como é escrita. Esse é um dos vícios de linguagem mais perigosos na escrita, porque confunde o leitor e o leva a ruídos de comunicação. A vírgula tem papel importante nisso. Quando usada no lugar errado ou quando não é adicionada, muda completamente o sentido da frase.

Exemplos:

  • “Vamos comer crianças.”
  • “Vamos comer, crianças.”

A vírgula muda tudo.

Outros exemplos:

  • “Vi o professor da escola com os alunos.”
    Pode significar que o professor estava com os alunos.
    Ou que eu vi os alunos acompanhados do professor.
  • “Os alunos que estudaram muito passaram.”
    Sem vírgula, a frase indica que só os alunos que estudaram muito passaram.
    Com vírgula, o sentido muda: “Os alunos, que estudaram muito, passaram.”

Em textos acadêmicos e profissionais, a ambiguidade é um problema sério, porque prejudica a compreensão e compromete a objetividade.

6. Cacofonia

A cacofonia acontece quando a junção de sons entre palavras produz um som desagradável, estranho ou com sentido involuntariamente inadequado. Esse vício é mais percebido na leitura em voz alta, como em textos que estruturam apresentações orais, mas também afeta a qualidade do texto.

Exemplos:

    • por cada → pode soar como porcada;
    • boca dela → pode formar um som indesejado;
    • a mão dela → pode gerar uma combinação sonora ruim;
    • ele tinha ido → dependendo do contexto, pode soar estranho;
  • vi ela -> soa como viela.

A cacofonia prejudica a fluidez da leitura e causa uma impressão negativa de informalidade e pouco domínio sobre a língua escrita. 

7. Silepse

A silepse ocorre quando a concordância é feita com base no sentido, e não na regra gramatical formal.

Exemplos:

  • “A gente fomos ao evento.”
  • “O povo saíram às ruas.”
  • “Os brasileiros somos persistentes.”

Esse tipo de construção aparece bastante na fala e em textos pouco revisados. Em contextos formais, o ideal é evitar esse vício de linguagem e manter a concordância padrão.

8. Solecismo

O solecismo é o erro de concordância, regência ou colocação.

Exemplos:

  • mim fazer em vez de para eu fazer;
  • pra mim ir em vez de para eu ir;
  • os aluno entregou em vez de os alunos entregaram;
  • assistir o filme em vez de assistir ao filme em contextos formais.

Esse é um dos vícios de linguagem que mais comprometem a escrita, porque afeta diretamente a norma padrão.

9. Barbarismo

O barbarismo é o uso incorreto de uma palavra, seja na grafia, na pronúncia ou na formação.

Na escrita, ele aparece em erros como:

  • excessão em vez de exceção;
  • beneficiente em vez de beneficente;
  • trousse em vez de trouxe.

Em provas, e-mails, relatórios e currículos, esses erros podem prejudicar bastante a imagem de quem escreve.

Como os vícios de linguagem afetam a vida acadêmica

Na escola e na faculdade, os vícios de linguagem na escrita causam prejuízos reais.

Entre os principais impactos, estão:

  • perda de pontos em redações e trabalhos;
  • dificuldade de compreensão por parte do professor;
  • impressão de desleixo na apresentação do texto;
  • fragilidade na argumentação;
  • dificuldade para transmitir ideias com clareza;
  • textos mal avaliados mesmo com bom conteúdo.

Muitas vezes, o problema não está no que a pessoa sabe ou em seu conhecimento, mas em como ela escreve.

Como os vícios de linguagem prejudicam a vida profissional

No ambiente de trabalho, a escrita é parte da imagem profissional.

Um texto mal escrito pode transmitir:

  • falta de organização;
  • falta de atenção;
  • despreparo;
  • desleixo;
  • pouca credibilidade.

Isso vale para:

  • e-mails;
  • currículos;
  • mensagens corporativas;
  • relatórios;
  • propostas;
  • comunicados;
  • apresentações por escrito.

Em processos seletivos e na rotina de trabalho, escrever bem pode ser um diferencial competitivo.

Por que esses vícios aparecem?

Os vícios de linguagem surgem, muitas vezes, por causa do ambiente em que a pessoa escreve.

Hoje, a comunicação é rápida, fragmentada e muito informal. Isso faz com que abreviações, gírias e construções repetitivas se tornem hábitos automáticos.

Além disso:

  • nem sempre há revisão dos textos;
  • a escola nem sempre ensina a diferença entre linguagem informal e formal;
  • a internet incentiva escrita rápida, sem atenção à norma culta;
  • muitos adolescentes reproduzem na escrita a mesma linguagem usada no chat.

Ou seja: os vícios de linguagem não aparecem porque a pessoa “não sabe nada”. Eles aparecem porque se transformaram em costume, e nunca foram realmente esclarecidos como equívocos.

Como evitar vícios de linguagem na escrita

Algumas atitudes simples ajudam muito a melhorar a qualidade dos textos:

  • revisar sempre antes de enviar;
  • evitar abreviações em textos formais;
  • trocar gírias por palavras mais adequadas ao contexto;
  • ler o texto em voz alta para identificar repetições e cacofonia;
  • observar a pontuação com atenção;
  • prestar atenção à concordância e à regência;
  • reescrever frases confusas;
  • substituir expressões repetidas por sinônimos;
  • adaptar o nível de formalidade ao tipo de texto;
  • ter o hábito de ler acostuma o cérebro com formas mais padronizadas de escrita formal.

Com prática, a escrita fica mais clara, objetiva e profissional.

Vícios de linguagem: um problema pequeno que causa grandes prejuízos

Os vícios de linguagem parecem detalhes, mas influenciam diretamente a forma como o texto é recebido. Na vida acadêmica, eles podem prejudicar notas e avaliações. Na vida profissional, comprometem oportunidades e a imagem de quem escreve.

Por isso, conhecer os principais vícios de linguagem e saber evitá-los é essencial para quem quer escrever melhor, comunicar-se com clareza e se destacar em qualquer área.

Resumo da ópera:

  • vícios de linguagem prejudicam a clareza do texto;
  • aparecem com frequência em textos de adolescentes e na linguagem da internet;
  • incluem pleonasmo, ambiguidade, cacofonia, silepse, solecismo e barbarismo;
  • atrapalham a vida acadêmica e profissional;
  • são corrigidos com leitura, revisão e prática.

Escrever bem não é escrever difícil.

É escrever com clareza, adequação e intenção.

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