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Por que filmes são seus melhores aliados

Sabe aquele papo de que “estudar é chato”?

Estudar é chato quando se estuda do jeito errado. Mas quando se descobre que um filme de 2 horas pode te dar mais repertório que um livro de 300 páginas, tudo muda.

Nem todo repertório precisa vir de livros densos ou textos acadêmicos áridos. Alguns dos melhores argumentos para uma redação nascem de histórias simples, humanas e acessíveis que o cinema consegue contar com sensibilidade.

E aqui está o segredo que poucos vestibulandos conhecem, filmes que explicam o mundo sem parecer aula, são exatamente esses que ajudam a:

  • desenvolver senso crítico (sem parecer que está estudando);
  • ampliar o olhar sobre a sociedade (enquanto se diverte);
  • construir repertório legítimo para redações (de forma natural);
  • entender nuances de temas complexos (através de histórias reais);
  • criar argumentos poderosos (porque você realmente entendeu).

A diferença é gigante: o repertório forçado soa forçado. Repertório que você absorveu naturalmente? Soa verdadeiro e verdade é irresistível em redação.

Abaixo, há uma lista com 5 filmes brasileiros e 5 internacionais que são leves de assistir, mas profundos o suficiente para render argumentos poderosos – e que podem ser usados com confiança em qualquer prova.

1. Que Horas Ela Volta? (2015) – Anna Muylaert

Tema central: desigualdade social, trabalho doméstico e divisão de classes.

O filme escancara o abismo entre classes ao retratar a relação entre uma empregada doméstica e seus patrões. Ele evidencia heranças da escravidão, limites impostos pela desigualdade e a dificuldade de ascensão social no Brasil.

Perfeito para temas como: 

  • desigualdade social;
  • trabalho doméstico e hierarquias invisíveis;
  • mobilidade social;
  • relações de poder.

Pode ser articulado com:

  • dados do IBGE sobre desigualdade;
  • Florestan Fernandes e a herança escravocrata;
  • Jessé Souza e a “ralé estrutural”.

O filme não só grita “desigualdade social!”. Ele mostra. E quando você mostra, o leitor sente. E quando o leitor sente, ele acredita.

2. Central do Brasil (1998) – Walter Salles

Tema central: analfabetismo, laços humanos, cidadania e exclusão social.

A jornada de Dora e Josué revela o país profundo: desigualdade regional, falta de acesso à educação e ausência de políticas sociais.

Perfeito para temas como: 

  • direito à educação;
  • exclusão social;
  • desigualdade regional;
  • cidadania.

Pode ser relacionado a:

  • Paulo Freire e a educação libertadora;
  • Constituição de 1988, artigos 6º e 205;
  • dados sobre analfabetismo funcional no Brasil.

Funciona porque não é sobre números, é sobre pessoas. E pessoas tocam corações. E corações escrevem redações melhores.

3. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014) – Daniel Ribeiro

Tema central: inclusão, deficiência visual e descoberta da identidade.

A história de Leonardo, um adolescente cego em busca de autonomia, toca de forma delicada temas de identidade, acessibilidade e cidadania.

Perfeito para temas como: 

  • inclusão de pessoas com deficiência;
  • juventude;
  • diversidade;
  • acessibilidade.

Diálogos possíveis:

  • Lei Brasileira de Inclusão (2015);
  • conceito de capacitismo;
  • ONU – Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

É perfeito porque mostra inclusão de verdade, não aquela inclusão performática que a gente vê por aí. Inclusão real, com conflitos, com dificuldades, com amor.

Veja outros filmes brasileiros que podem ser usados como repertório na sua redação!


4. O Auto da Compadecida (2000) – Guel Arraes

Tema central: justiça social, cultura popular e desigualdade.

A partir do humor, o filme traz críticas sociais poderosas sobre pobreza, injustiça e sobrevivência no sertão.

Perfeito para temas como: 

  • desigualdade regional;
  • ética e moral;
  • cultura popular;
  • injustiça social.

Pode ser cruzado com:

  • Euclides da Cunha e “Os Sertões”;
  • Câmara Cascudo e cultura brasileira;
  • debates sobre Nordeste, seca e vulnerabilidade.

Funciona porque faz rir enquanto aprende. E quando você aprende rindo, não esquece. 

5. As Melhores Coisas do Mundo (2010) – Laís Bodanzky

Tema central: adolescência, bullying e pressão social.

Mostra conflitos reais vividos por jovens: redes sociais, exposição, autoestima e saúde mental.

Perfeito para temas como:

  • saúde mental;
  • bullying;
  • juventude;
  • cultura digital.

Articula com:

  • OMS e dados sobre ansiedade na adolescência;
  • Byung-Chul Han (sociedade da performance);
  • estudos sobre cyberbullying.

É perfeito porque fala sobre seu mundo. Sobre os conflitos que vivemos todos os dias. E quando um filme fala sobre seu mundo, entende-se tudo melhor.

Precisando de repertório para sua redação? Guia de repertórios atuais: autores, dados e exemplos para vestibulares

🌎 5 filmes internacionais que ampliam o olhar sobre o mundo

6. O Show de Truman (1998) – Peter Weir

Tema central: vigilância, privacidade, espetacularização e manipulação da realidade.

O filme expõe como a sociedade transforma vidas em espetáculo e como a manipulação da realidade pode moldar comportamentos.

Ótimo para discutir:

  • privacidade digital;
  • vigilância;
  • manipulação midiática;
  • controle social.

Pode ser conectado a:

  • Michel Foucault (panoptismo/controle social);
  • Shoshana Zuboff (capitalismo de vigilância);
  • debates sobre uso de dados e algoritmos.

Ainda que tenha sido produzido em 1998, é assustadoramente atual. Se você acha que é sobre TV, pense em redes sociais. Pense em algoritmos. Pense em dados.

7. Divertida Mente (2015) – Pixar/Disney

Tema central: saúde mental, emoções e amadurecimento.

Uma narrativa leve que explica de forma brilhante o funcionamento das emoções.

Excelente para temas sobre:

  • saúde mental;
  • adolescência;
  • regulação emocional.

Relaciona-se com:

  • OMS e dados pós-pandemia;
  • psicologia cognitivo-comportamental;
  • políticas de saúde mental nas escolas.

Funciona porque torna o complexo acessível. Porque fala sobre emoções de forma que até quem nunca pensou sobre isso entende.

8. Extraordinário (2017) – Stephen Chbosky

Tema central: empatia, bullying e inclusão.

A vida de Auggie mostra como o preconceito afeta crianças e como o acolhimento transforma realidades.

Perfeito para temas sobre:

  • inclusão social;
  • educação;
  • empatia;
  • bullying.

Articulação com:

  • políticas de inclusão escolar;
  • Maria Montessori (educação para empatia);
  • filosofia do cuidado (Carol Gilligan).

Fala sobre humanidade e isto é o que falta em muitos lugares. Inclusive em redações que soam robóticas.

9. A Vida é Bela (1997) – Roberto Benigni

Tema central: holocausto, humanidade e resistência emocional.

Em meio ao holocausto, o filme mostra a resistência emocional e o amor como forma de proteção.

Pode ser citado para:

  • direitos humanos;
  • xenofobia;
  • guerras e genocídios;
  • memória histórica.

Relaciona com:

  • Hannah Arendt (banalidade do mal);
  • Declaração Universal dos Direitos Humanos;
  • estudos sobre totalitarismo.

É perfeito porque alguns temas não podem ser ignorados. Porque a história que não é lembrada se repete. Porque o repertório sobre direitos humanos é fundamental.

10. Não Olhe para Cima (2021) – Adam McKay

Tema central: negacionismo científico e desinformação.

A sátira mostra como a pós-verdade domina discursos políticos e impede ações coletivas.

Como usar na redação:
Ideal para discutir:

  • fake news;
  • ciência e tecnologia;
  • políticas públicas;
  • responsabilidade coletiva.

Pode ser articulado a:

  • Umberto Eco (legião de imbecis – adorooooo);
  • PL das Fake News;
  • Projeto Comprova e combate à desinformação.

É maravilhoso porque estamos vivendo isso agora. Porque fake news não é brincadeira. Porque você precisa entender como a realidade é construída (e desconstruída).

Quer um conselho final?

Incluir filmes na sua formação como estudante não é perda de tempo, é estratégia inteligente. Eles ajudam a interpretar o mundo, desenvolver empatia, reconhecer tensões sociais e construir repertórios sólidos sem esforço. Assisti-los é só o primeiro passo. 

Como transformar filme em repertório real (não apenas citação)

  1. Entender o tema central
  • Não é só “que filme legal”. É: “Qual é a mensagem profunda? O que o diretor quer que eu entenda?”
  1. Relacionar com problemas reais
  • “Como isso que vi no filme acontece na minha realidade? Quais são as evidências?”
  1. Conectar com dados, autores ou leis
  • “Que dado, que autor, que lei legitima o que o filme mostrou?”

Filmes leves também ensinam.
Eles ampliam o olhar, despertam empatia e ajudam o estudante a entender o mundo com mais clareza,  exatamente o que as grandes bancas valorizam.

Porque redação não é sobre memorizar fatos. É sobre demonstrar que você entende o mundo. E quem assiste a filmes bons entende o mundo melhor.

Quem aprende a enxergar o mundo, aprende a escrever melhor sobre ele.

Seu próximo passo

Escolha um filme dessa lista. Assista. Não como tarefa, como prazer. Depois, pense:

🎬 Qual é a mensagem?
🎬 Como isso acontece no meu mundo?
🎬 Que dados, autores ou leis conectam com isso?

Pronto. Você tem repertório.

Curtiu essas conexões? Imagina ter acesso a um método completo que te ensina não só como usar repertório, mas como estruturar argumentos que impressionam, como conectar ideias de forma irresistível e como escrever redações que ganham prêmios.

Vem para a Crís Oliveira – Tudo de Texto e descubra como transformar seu repertório (e seus filmes favoritos) em redações que realmente funcionam.

Veja outros filmes que servem como repertório e arrase na sua redação!

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